O que é saúde preventiva?

A Saúde Preventiva pode ser entendida como um conjunto de medidas e ações de saúde voltadas para a prevenção de doenças e/ou seu agravamento. Estamos, nesse entendimento, compreendendo a doença como sendo qualquer tipo de agravo à saúde, incluindo o trauma.

Como trabalharmos com saúde preventiva? Quais são as doenças que iremos evitar?

É importante, ao buscarmos respostas a estas perguntas, que tenhamos alguns dados para consulta.

Tal qual em um inventário de riscos, utilizado para prevenção de crises, precisamos saber quais são as principais ameaças presentes. Ou seja, quais são as doenças que mais matam e incapacitam na região. Estas devem ser as primeiras a serem prevenidas.

Se analisarmos as principais causas de mortalidade no ano 2006 em todas regiões do Brasil, perceberemos que as Doenças Cardiovasculares foram as principais causas de morte em nosso país, com mais de 300 mil mortes no ano, como também em cada Região Administrativa brasileira. Na Região Sudeste foi registrado o maior número absoluto de mortes por doenças cardiovasculares, com quase 176 mil óbitos. É também a região mais densamente povoada em nosso país.

Se fizermos uma análise percentual em relação ao número total de óbitos por região, perceberemos que, com exceção da Região Norte, que corresponde a cerca de 21% dos óbitos, o que ainda se constitui como principal causa de mortalidade na região, nas demais regiões está na faixa de 30% de todas as causas, o que representa um número muito alto.

Se formos agora buscar em que faixa etária as doenças cardiovasculares causam mais mortes, veremos que cerca de 96% ocorrem após os 40 anos de idade.

Bom, então é só promover a prevenção das doenças cardiovasculares após os 40 anos, certo? Não. Completamente errado. Essas doenças matam mais a partir dessa faixa etária, mas começam a surgir bem antes e a prevenção deve ser feita já com as crianças.

Já que sabemos qual doença é a principal causa de mortalidade e a partir de qual faixa etária ela causa mais mortes, o que fazer agora?

Identificar os fatores de risco. Como fazer isso? É importante que sejam sempre consultados trabalhos científicos e consensos que deem suporte técnico-científico adequados à prática clínica. Não tem sentido e são desprovidas de qualquer comprovação científica, as práticas clínicas baseadas unicamente em experiência pessoal ou em dados obtidos em publicações leigas ou trabalhos inconclusivos. Na área de doenças cardiovasculares, por exemplo, segundo dados do Ministério da Saúde, os principais fatores de risco seriam: 

• História familiar de DAC prematura (familiar 1º grau sexo masculino <55 anos e sexo feminino <65 anos); 
• Homem >45 anos e mulher >55 anos; 
• Tabagismo; 
• Hipercolesterolemia (LDL-c elevado); 
• Hipertensão arterial sistêmica; 
• Diabete melito; 
• Obesidade (IMC > 30 kg/m²); 
• Gordura abdominal; 
• Sedentarismo; 
• Dieta pobre em frutas e vegetais; 
• Estresse psicossocial. 

Um dos mais importantes estudos de avaliação de risco em doença cardiovascular é conhecido como Framingham Heart Study. Em 1948, sob a direção do então National Heart Institute (Instituto Nacional do Coração), hoje conhecido como National Heart, Lung and Blood Institute – NHLBI (Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue), foi iniciado um ambicioso projeto, voltado para descobrir as principais causas de doenças cardiovasculares, uma vez que pouco se sabia sobre elas, mas ao mesmo tempo, passou a se constituir na principal causa de mortalidade não apenas nos Estados Unidos, mas em diversos outros países, incluindo o Brasil, como já vimos há pouco. 

O Projeto desenvolvido contou com o apoio conjunto da Universidade de Boston. 

Os pesquisadores analisaram 5.209 pessoas com idade entre 30 e 62 anos, residentes na cidade de Framingham, Massachusetts. Nesta primeira fase do Projeto, essas pessoas foram entrevistadas, examinadas e o estilo de vida de cada uma, analisado. Desde 1948, a cada dois anos, essas pessoas têm retornado para novos exames, testes e entrevistas. Em 1971, teve início a análise da segunda geração, constituída por 5.124 pessoas, filhos e esposas dos primeiros participantes do estudo. Em 2002, teve início o estudo com a terceira geração, constituída pelos netos dos participantes do estudo original. A primeira fase deste estudo da terceira geração foi completada em 2005 e envolveu 4.095 participantes. 

Ao longo dos anos e após análise dos resultados decorrentes deste estudo foram identificados os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares: hipertensão arterial, hipercolesterolemia, tabagismo, obesidade e sedentarismo, além de fatores correlatos como hipertrigliceridemia, níveis de colesterol HDL, idade, sexo e fatores psicossociais. 

Diante destas informações, fica evidente a necessidade de Programas de Saúde Preventiva para a população em geral, com foco em: 

• Diagnóstico, tratamento e acompanhamento da Hipertensão Arterial; 
• Avaliação do perfil lipídico, com especial atenção para o colesterol total, suas frações e o nível de triglicerídeos; 
• Combate ao tabagismo; 
• Avaliação da circunferência abdominal e índice de massa corporal da população assistida, bem como adoção de medidas que privilegiem uma alimentação saudável; 
• Prática de exercícios; 
• Diagnóstico e controle da diabetes mellitus. 

Esses são fatores de risco considerados modificáveis, pois podem ser mudados. Há, no entanto, os que não podem ser modificados, como idade, sexo, fatores familiares. Estas pessoas devem então redobrar os cuidados, pois os fatores de risco são aditivos, ou seja, quanto mais fatores, maiores os riscos. 

Por que Programa e não Campanha? 

É comum as pessoas buscarem campanhas preventivas, quando na verdade querem programas. Qual a diferença? 

Uma Campanha tem data de início e de fim. Possui um objetivo específico e geralmente envolve mutirões para sua condução. Exemplo: Campanha de Detecção Precoce do Câncer de Pele em uma comunidade. Durante alguns dias, uma equipe multidisciplinar promove um evento em que geralmente é iniciado com uma apresentação falando dos fatores de risco e da gravidade do câncer de pele, sobretudo o melanoma. Apresenta alguns sinais que são considerados como de alerta, ou seja, quando presentes, devem ser examinados por um dermatologista e são ensinadas medidas preventivas. Esta é uma atividade de Promoção da Saúde e ao mesmo tempo, Prevenção de Doenças. Nos dias que se seguem são realizadas triagens de pacientes, e os casos suspeitos, examinados por dermatologistas que podem tranquilizar o paciente quando não houver suspeitas de malignidade, ou retirar o material para biópsia e encaminhar para análise. Se confirmada a malignidade, é realizada a cirurgia. 

Percebam que após a data de conclusão da campanha não mais haverá dermatologistas naquele local, nem serão realizadas outras atividades específicas, a menos que se torne um Programa. 

No Programa, as ações são continuadas. Não há prazo para encerramento das atividades. Há um cuidado com a Promoção de Saúde por meio de palestras, cartilhas, filmes, bem como com o diagnóstico precoce e o acompanhamento assistencial. 

Geralmente, os Programas são mais voltados para as doenças mais prevalentes.

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